sábado, 29 de setembro de 2007

Tropa do senso comum

Já que na internet abundam comentários,resenhas,críticas e elogios ao filme mais comentado,pirateado,amado e odiado do cinema nacional a ALDCCC não poderia fugir a regra e dar o seu pitaco sobre o flime ''Tropa de Elite''.

Primeiramente é preciso que se diga que o flime é muito bem feito,dirigido ,conta com ótimos atores e com uma primorosa produção,que torna o filme mais real e impactante.Além disso o filme acaba levantando debates, que a sociedade brasileira a muito tempo vem fugindo,como a legalização das drogas,a estrutura e a corrupção da polícia,o papel das classes altas no tráfico de drogas e etc..Mas tudo isso acaba ficando em segundo plano diante das reações de amor e ódio em relação ao filme.

O filme gira em torno dos policiais do BOPE,e dos aspirantes a entrarem no citado,que no combate aos criminosos não ''pensam duas vezes''em lancar mão de torturas contra moradores de comunidades carentes(criminosos ou não) e culpar as classes média e altas,consumidoras de entorpecentes,pela violência na cidade.Obviamente, as classes abastadas têm responsabilidade na situação da segurança pública no país(e não somente no que tange o consumo de drogas),mas reduzir o tráfico de drogas - que é uma sofisticada rede internacional de comércio ilícito,que compreende outras redes de corrupção em todas as esferas do poder,lavagem de dinheiro,tráfico de influência e tráfico de armas-em uma relação binária de compra e venda de drogas em uma favela é tentar ''simplificar''uma questão complexa.

Com certeza,uma das razões de todo o ''amor''pelo filme pode ser creditado a figura do policial pertencente a tropa de elite da Polícia Militar.Os policiais do BOPE são retratados como incorruptíveis ,impetuosos,corajosos e utilizando métodos que violam as leis e os Direitos Humanos para conseguir seus objeitvos.Em uma sociedade onde o ''senso comum''(comungado tanto pelas classes dominantes, econômica e politicamente, quanto pelas camadas baixas,que sem sombra de dúvida são as que mais sofrem com as ações da polícia) cada vez mais caracteriza os Direitos Humanos como coisa para bandido e defende uma política de segurança pública baseada na matança e no desrespeito as leis ,a imagem construída do oficial do BOPE(que claramente lembra a imagem do poilicial americano construida pelos filmes de ação) surge como um exemplo a ser seguido e suas ações como o verdadeiro combate ao crime.

Tudo esses pensamentos e desejos do ''senso comum'',em relação à política de seguranção pública e as ações da polícia,pode ser extremamente prejudicial,já que se corre o risco de ser adotada um verdadeiro e eterno ''estado de sítio'',com a vida dos integrantes dos cidadãos,principalmente das classes baixas,cada vez mais a mercê do ''bom-humor''e da compreensão dos agentes da lei.Além de tirar o foco da discussão sobre as questões estrturais do violência,como a o papel de integrantes das classes altas como administradores das citadas redes que compõe o tráfico de drogas e a situação de desigualdade e injustiçã que reina no país.

2 comentários:

Neylor Ferreira disse...

Mandou bem, mano. Direto ao ponto.
Parabéns.

São Pedro disse...

Boa crítica e bom título da crítica. Esse filme foi um excelente termômetro para medir o real pensamento das classes média e alta em relação à violência urbana. Depois de um bom tempo com discursos velados aprovando as ações violentas da polícia como única solução para o problema da criminalidade, agora finalmente caiu a máscara. Inclusão de serviços públicos básicos de qualidade nas favelas ? Perspectivas de emprego para a população jovem dessa área ? Combate aos grandes negócios envolvendo drogas e armas (bem lembrado) ? Tudo isso fica esquecido quando se diz que a solução consiste unicamente na repressão ao "elo mais fraco".